Linhas de pesquisa

Esta linha, inserida no campo da Sociolinguística, investiga os fenômenos de contato entre línguas decorrentes das mobilidades migratórias, com foco nas práticas plurilíngues, nos repertórios linguísticos, nas misturas de línguas e nos processos de construção de identidades. Busca compreender os efeitos sociais, culturais e linguísticos das migrações e as dinâmicas de interação que se estabelecem em contextos de mobilidade, por meio de diferentes abordagens teóricas e metodológicas.


Em comunidades caracterizadas pela diglossia, há uma língua usada nas situações formais, no âmbito público, e uma ou mais línguas usadas nas situações informais, no âmbito privado. As teorias feministas têm mostrado como as mulheres são normalmente confinadas ao espaço privado. Assim, nessas comunidades, as mulheres ficam confinadas à língua vernacular pelo fato de estarem limitadas ao âmbito privado. Entretanto, os homens controlam ambas as línguas e interagem nos dois espaços.


Certas escritoras questionam as fronteiras dos corpos, da existência, das línguas, e propõem outros futuros. Assim, ao colocarem em questão os elementos da realidade que tomamos como imutáveis, suas narrativas, tornam-se fontes de pesquisa para a compreensão dos mecanismos sociais de opressão e das formas de resistência. O principal objetivo desta linha de pesquisa é analisar as diversas propostas de provocações linguísticas trazidas por textos de ficção especulativa de autoras contemporâneas.


O contato entre línguas assumiu uma nova dimensão, a partir do surgimento da Internet e do uso do formato hipertexto em documentos digitais. Nesse contexto, a linha envolve questões relativas ao acesso a conteúdos digitais em português por estrangeiros, em suas múltiplas dimensões científicas: questões linguísticas, temas envolvendo multimodalidade, multilinguismo, inclusão digital e tecnologias linguísticas.


O projeto consiste em implementar soluções linguísticas para facilitar a participação social dos migrantes. Isso envolve a criação de materiais de consulta e referência diversos, além de aplicativos e ferramentas que possam auxiliar a interação linguística e cultural entre refugiados, intérpretes e demais pessoas e órgãos envolvidos. Um passo necessário para essa empreitada consiste no estudo e sistematização da terminologia multilíngue envolvida nessas situações de interação.


Em um cenário de educação plurilíngue e cidadã, é central (re)pensar as práticas comunicativas assim como de ensino-aprendizagem de línguas, privilegiando ações que favoreçam uma visão positiva e holística da diversidade linguística e cultural e de seu papel na construção de uma efetiva competência plurilingue e pluricultural. Neste sentido, este eixo concentra-se nos processos de mediação linguística e no pensar didático através das abordagens ditas plurais, notadamente a abordagem da Intercompreensão, que vem sendo objeto de diversas pesquisas e projetos em diferentes instituições brasileiras nos últimos 15 anos. Centrando-nos nas línguas românicas, investigamos o potencial da abordagem em diferentes vertentes: na formação de professores, no ensino-aprendizagem de línguas e culturas, na comunicação trans e intercultural e nas ações de acolhimento de migrantes.


Esta linha investiga políticas linguísticas em dois eixos complementares: a internacionalização das universidades e a circulação do conhecimento científico em contextos multilíngues, com foco na integração latino-americana; e a garantia dos direitos linguísticos de pessoas com pouca ou nenhuma proficiência em português, especialmente no acesso às instituições públicas brasileiras. Abrange estudos sobre mediação linguística, interpretação comunitária e tradução em serviços públicos como instrumentos de garantia de direitos e de promoção da inclusão linguística, além de analisar a formulação, implementação e os impactos de políticas linguísticas voltadas à gestão da diversidade linguística e cultural em contextos migratórios e acadêmicos.


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